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Protesto na Cinelândia no RJ, contra o fim da versão impressa do JB, reuniu cerca de 200 profissionais.
Palco de inúmeras manifestações culturais e políticas, a Cinelândia viveu nesta terça-feira (31) horas de muita emoção durante o protesto contra o fechamento do Jornal do Brasil, no dia em que o veículo circulou pela última vez depois de 119 anos de existência.
O evento reuniu jornalistas, a maioria ex-empregados do jornal, que se reencontraram e relembraram casos que dariam para fazer um maravilhoso livro de boas recordações. Os leitores também apareceram e alguns fizeram questão de falar sobre a importância do jornal e a inflluência exercida sobre as suas vidas. Para aprofundar o debate sobre as possibilidades concretas de o JB voltar a circular, o Sindicato vai realizar um seminário no final de setembro reunindo especialistas na área do patrimônio histórico e cultural, a fim de analisar o tombamento da marca “Jornal do Brasil”, tornando-a em um bem público. Para a ocasião também serão convidados juristas e gestores de administração. A marca atualmente pertence ao empresário Nelson Tanure, dono da CBM (Companhia Brasileira de Mídia) que agora administra o JB On-line. Ela foi adquirida cinco anos atrás por um período de 60 anos. O Sindicato, segundo a presidente Suzana Blass, não deve se conformar com o fim do Jornal do Brasil porque a versão on-line do veículo só terá valor jornalístico se for produzido por uma equipe constituída por um número expressivo de jornalistas, bem remunerados e qualificados. Embora a direção da empresa diga que 100 profissionais vão trabalhar no on-line, sabe-se que a atual redação foi reduzida a praticamente 25 profissionais, além de cinco que trabalhavam nas colunas sociais. Nos últimos 30 dias, pelo menos número equivalente de jornalistas foi demitido ou pediu para ser mandado embora por não acreditar mais na recuperação do veículo. “O jornalismo on-line é uma incógnita e a tendência é que fracasse se for produzido por apenas 20 ou 30 profissionais, sem nenhuma estrutura, como todos imaginamos que vai acontecer”, criticou Suzana Blass, presidente do Sindicato. Na sua opinião, ainda há esperança de reativar a versão impressa do jornal. O deputado federal Fernando Gabeira (PV), que chefiou o Departamento de Pesquisa do jornal, disse que trabalharia de graça até que o novo veículo se firmasse financeiramente e foi muito aplaudido. Um dos depoimentos mais emocionantes foi a da leitora Norma Hauer, de 85 anos. Ela disse que o seu pai já assinava o JB e ela aprendeu a ler com ele folheando as páginas do jornal. Para ela, a versão on-line “não é a mesma coisa” e a perda para os jornalistas será menor porque cada um dos ex-empregados pode ir trabalhar em outros veículos no Rio de Janeiro, como O Dia e o Extra. “Agora, nós leitores não temos como ir para outro jornal. Eu nunca poderia imaginar que o Jornal do Brasil fosse acabar um dia. Isso dói, é muito triste”, lamentou. O jornalista José Silveira, secretário de redação do jornal nos anos 60 e70, lembrou orgulhoso o fato de ter sido demitido em duas ocasiões do JB, com que disse sempre ter mantido uma “relação de amor e ódio”. Funcionário público concursado no início de sua vida profissional no Rio Grande do Sul, Silveira, fez questão de destacar a importância da independência do Jornalismo diante do poder. “A atividade jornalística é incompatível com as atividades do setor público.”
Nos primeiros 15 dias do JB Online, o acesso será gratuito. Depois, será cobrada uma mensalidade de R$ 9,90 pelos conteúdos jornalísticos do site.
Veja a manifestação no Youtube.
Do SJPMRJ |