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Várias entidades lamentam a morte do Jornal do Brasil, que circula hoje, dia 31 de agosto, pela última vez.
Jornalistas, entidades sindicais, políticos, estudantes e a população em geral estão convidados para participar de uma manifestação ao meio-dia, na Cinelândia, nesta terça (31), no dia em que a versão impressa do Jornal do Brasil deixa de circular depois de 119 anos.
O Sindicato lamenta profundamente a anunciada morte de um dos mais importantes veículos de comunicação no país. Formador de várias gerações de profissionais da imprensa, o JB participou decisiva e criativamente da criação de hábitos que se incorporaram ao cotidiano da cidade do Rio de Janeiro e até de muitas cidades brasileiras.
A história do JB tem uma relação intrínseca com a história econômica, política e social brasileira. Durante anos exerceu forte influência sobre o destino do País e se destacou em diversas lutas, sendo a mais recente contra a ditadura. Desde a sua criação foi assim. Logo após a sua fundação, em 1891, o jornal permaneceu fechado por mais de um ano em retaliação ao fato de defender a monarquia.
Silêncio
No final da manhã de ontem (30), a desinformação sobre o destino dos jornalistas é total. Todos estão intranqüilos e reclamam porque a direção do JB não emitiu nenhum comunicado após o anúncio de que a versão impressa deixaria de circular em 1º de setembro e que seria mantida somente a versão on-line.
O Sindicato considera esse posicionamento um desrespeito aos profissionais que continuam trabalhando no jornal, apesar de todas as dificuldades, e coloca à disposição o seu departamento jurídico para os que se sentirem prejudicados com relação ao pagamento de suas indenizações trabalhistas.
Embora os salários tenham sido colocados em dia, o risco de demissão está sempre presente. Na sexta-feira passada (27), o editor de fotografia Evandro Teixeira, um profissional exemplar que trabalha há vários anos no jornal, pediu que o mandassem embora porque não concordou com a demissão de dois repórteres fotográficos.
Durante a manifestação, o Sindicato tornou pública uma nota em que lamenta o fatode o Jornal do Brasil ter parado nas mãos de administradores que não souberam entender a grandiosidade do seu nome. Segue a íntegra da nota:
O fim do Jornal do Brasil: um golpe contra o Jornalismo
O Jornal do Brasil circula hoje, dia 31 de agosto, pela última vez. É um golpe para os jornalistas e principalmente para os leitores que deixarão de contar com mais um veículo de comunicação no Rio de Janeiro. Agora, o jornal passará a ter apenas uma versão na Internet.
O JB de hoje nada tem a ver com aquele jornal que durante mais de um século escreveu parte da história do País. Ousou, não seguiu à risca a cartilha da ditadura, como outros jornais fizeram. Um jornal do qual o Rio de Janeiro se orgulhava de ler. Sua história se confunde com a história da cidade e do estado. Contribuiu para formar hábitos na cultura carioca e serviu de escola para jornalistas e demais veículos de comunicação do País.
Hoje, representantes de entidades sindicais e populares, os jornalistas, a classe política, os estudantes, os profissionais de todas as áreas e a população em geral participam desta manifestação para protestar contra o fechamento daquele que já foi um dos mais importantes jornais brasileiros, principalmente em momentos decisivos e cruciais da história.
O JB tem hoje mais de 100 empregados. Qual será o futuro deles? Quantos serão reaproveitados na versão online? E o passivo trabalhista? É bom lembrar que muitos ex-funcionários ainda estão na Justiça lutando por direitos que não foram respeitados. O nosso Jornal do Brasil não merecia este fim, ter caído nas mãos de administradores que não souberam entender a grandiosidade do seu nome.
SJPMRJ
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