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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
 
 
‘Imprensa não está à altura das necessidades', avalia Schröder | Imprimir |  E-mail
Sáb, 21 de Agosto de 2010 16:57

Novo presidente da Federação dos Jornalistas toma posse no encerramento do congresso nacional, em Porto Alegre.

 


Eleito presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder toma posse neste sábado (dia 21). A solenidade marca o encerramento do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, que acontece em Porto Alegre desde quarta-feira. Esta entrevista foi com cedida ao Jornal do Comércio.

Jornal do Comércio - Qual é a sua avaliação da mídia?

Celso Schröder - A mídia brasileira não tem estado à altura das necessidades sociais. Temos que constituir um enorme esforço do jornalista e da sociedade civil para reimprimir ao jornalismo sua dimensão original, sua capacidade de modificação e de consolidação da esfera pública.

JC - E em relação à cobertura das eleições deste ano?

Schröder - É uma agenda unilateral, partidária e ideológica. Há uma tendência da mídia de, a partir do seu ponto de vista ideológico, constituir uma relação amistosa e cúmplice com alguns candidatos e uma atitude hostil e de represália em relação a outros. E normalmente a cobertura parte do que é pitoresco, e não dos programas de governo. Não se parte das propostas dos candidatos. Identifica-se na política um local sempre daninho, negativo. E não como um espaço que pode e deve ser coletivo, um espaço de construção social.

JC - Como mudar isso?

Schröder - Temos que fiscalizar e cobrar. Mas, por outro lado, precisamos perguntar os porquês. Aquela regrinha básica do lead, que parece simples, tem sido esquecida. O jornalista precisa contextualizar, averiguar, comprovar e, principalmente, trazer a diversidade. Estamos, em alguns casos, focados num tipo de jornalismo em que o entretenimento e a espetacularização são a pauta. Esquecemos o fundamental: perguntar, checar, fiscalizar, incomodar um pouco.

JC - Como a Fenaj pretende garantir a exigência do diploma para a profissão de jornalista?

Schröder - Há muitas pautas político-eleitorais neste ano. E essa é uma matéria difícil, pois enfrenta o interesse dos grandes meios (de comunicação). Mas estamos no Congresso pressionando. A proposta tramitou num prazo recorde, cinco meses. Isso mostra a mobilização dos jornalistas, junto com o apoio da opinião pública. Temos uma grande chance de terminar o ano com a obrigatoriedade do diploma restituída.


Do Jornal do Comércio

 

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