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Alvarez tinha se submetido a uma cirurgia para retirada de um câncer no pulmão no último dia 27 de julho.
A vocação para o jornalismo foi uma herança do avô materno, Pedro Motta Lima, que junto com Carlos Drummond de Andrade e outros integrava a “direção coletiva” da Tribuna Popular, importante jornal do país, lançado em 22 de maio de 1945 para ampliar a ação política do Partido Comunista Brasileiro.
Ricardo Motta Lima Alvarez, nascido em 25 de abril (dia da Revolução dos Cravos, em Portugal) de 1948, também seguiu os passos do avô na luta política: por muitos anos teve militância ativa no PCB. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio se orgulha de tê-lo em seus quadros como um diretor extremamente dedicado, durante a segunda gestão de Carlos Alberto de Oliveira, o Caó, iniciada em 1980.
Sempre preocupado em colaborar para a construção de um mundo igualitário e mais justo, o jornalista entra na famigerada lista dos trabalhadores que morreram e não receberam a indenização a que tinham direito como ex-empregados da TV Manchete, do império editorial de Bloch Editores, falido em agosto de 2000. Cerca de três mil foram indenizados no ano passado, mas ainda faltam 400 para receber seus créditos e Alvarez estava entre esses.
Estudante de Economia, curso que não chegou a finalizar, optou pelo Jornalismo. Inicialmente trabalhou no jornal Correio da Manhã e na revista técnica Portos e Navios. Depois chegou à Rede Globo de Televisão. Na editoria de esportes, entre outras atividades, foi chefe de Reportagem e participou da cobertura das Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988. Permaneceu na emissora até 1998, por 14 anos. Depois foi para a TV Manchete e lá ficou até a falência da empresa.
Durante dois anos, Ricardo Alvarez chegou a morar em São Paulo, onde trabalhou como editor da uma publicação na área de agricultura. Nos últimos anos, realizou uma série de trabalhos autônomos, como editor do jornal da Associação de Moradores de Laranjeiras, onde residia, escrevendo resenhas para publicações da Petrobras ou fazendo revisão de livros e outras publicações.
Filho de Damaso Barreira Alvarez e Judith da Motta Lima Alvarez, servidores públicos, o jornalista carioca deixa o filho Fernando, que mora em Barcelona, de 36 anos, nascido no primeiro casamento com a jornalista Walkiria Dutra de Oliveira, e Marina, de 26 anos, da união com a jornalista Mônica Horta. Fica também entre nós a querida namorada Helena Ferraz Soares Lopes, que amava e o acompanhou mais de perto em seus últimos dias, além de muitos amigos e admiradores.
O jornalista Rogério Marques, vice-presidente do Sindicato, falou sobre o amigo: “O Ricardo foi uma das pessoas mais interessantes que conheci. Fazia aniversário em 25 de abril, dia da Revolução dos Cravos. Adorava a vida. Conheci o Ricardo no PCB, por volta de 1979, quando um grupo de jornalistas fazia o Boletim Pró-CUT, no Sindicato dos Engenheiros. Sempre preocupado em construir um mundo melhor, mais justo. Importante, morreu levando uma vida simples, sem receber o dinheiro a que tinha direito como ex-funcionário da TV Manchete, assim como tantos outros colegas que por lá passaram.”
No dia 27 de julho, Ricardo submeteu-se a uma cirurgia para a retirada de um câncer no pulmão, mas no sábado seguinte, à noite, foi vítima de hemorragia seguida de uma parada cardíaca. Submetido a coma induzido, permaneceu nesse estado até a morte na tarde desta quinta-feira, dia 5.
Seu corpo será velado até as 15h na capela 6 do Cemitério São João Batista, em Botafogo. No domingo, está prevista a realização de uma pequena cerimônia e em seguida a cremação – conforme era seu desejo –, às 15h, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
Do SJMRJ
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