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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
 
 
A revolução da atualidade em 140 caracteres | Imprimir |  E-mail
Ter, 23 de Fevereiro de 2010 20:35

Atualmente os principais meios de comunicação em todo mundo já usam o twitter como forma de comunicação.

Em questão de semanas, a população do Twitter será a mesma que a da Espanha. O dado deslumbra se pensamos que há um ano esta rede social tinha a modesta soma de quatro milhões de usuários. A diferença do superpovoado Facebook, que tem pouco mais de 350 milhões, os habitantes virtuais do Twitter se comunicam em apenas 140 caracteres, apostam pela brevidade, escolhem o microtexto, optam pela linha concisa e veloz, pelos foguetes, diria Baudelaire.

O Twitter se desdobra ao longo da tela do computador, o usuário vai lendo microtextos de pessoas, meios de comunicação ou instituições que lhe interessam, e, por sua vez, pode publicar na tela, para quem o segue, um comentário, uma reflexão ou um gracejo; cada qual é responsável pelo que publica e, da mesma forma que acontece na vida real, há quem tem milhares de seguidores, e há quem não tem nenhum.

A blogueira cubana Yoani Sánchez tem 21.161 seguidores que, dia-a-dia, se informam, diretamente, sobre a batalha que defende para evitar as ferozes restrições que o governo dos irmãos Castro tem imposto para o uso da Internet na ilha. O guitarrista irlandês The Edge utiliza seus 140 caracteres para publicar links das fotografias com as quais vai formando uma espécie de diário visual que tem 25.075 seguidores, mais que o dobro do que tem o escritor Breat Easton Ellis (10.795) e cinco vezes mais que os de Haruki Murakami (5.497). Entre as superestrelas do Twitter estão Al Gore (2.065.428), Barack Obama (3.077.674) e Ashton Kutcher (4.331.339), que alcançou esta desmedida cifra graças a uma fotografia de sua mulher de calcinhas que, a propósito, é a atriz Demi Moore.

Há também quem utiliza seus 140 caracteres para divulgar música ou vídeos. Além das pessoas que escrevem microtextos, os principais jornais de todo o mundo distribuem suas notícias no Twitter, em links e mininotas de 140 caracteres, que, em muito pouco tempo, conseguiram impor uma nova forma de ler notícias, uma espécie de microjornalismo que permite aos usuários ir lendo, em tempo real, os eventos de sua cidade, de seu país e de todo o planeta: a vida paralela dos outros, que é paralela à sua própria vida.

A leitura seletiva do microjornalismo que este mesmo jornal publica no Twitter, mais a do Wired e The New York Times, mais os microtextos de Yoani, de Murakami, as fotos do The Edge e os comentários e reflexões das pessoas que cada qual segue, dão como resultado uma peculiar leitura transversal, um mosaico eletrônico, movediço e raivosamente atual da realidade.

A velocidade com que se publica, e a rapidez com que se dilui tudo no Twitter, nos faz pensar que estamos, para usar a terminologia de Gilles Lipovetsky, no império do efêmero. Ttrata-se de informação descartável e dispersa? Pode ser, mas não mais que a que oferecem outros meios e, sem dúvida, nesse infinito de ideias e informação, sempre há algo que nos serve ou nos comove.

No Twitter, exatamente como na vida real, pode-se ganhar seguidores de diferentes forma; há quem convence e ganha adeptos pelo que escreve, há quem já é célebre em outro meio e simplesmente faz um deslocamento de seu público, e há quem recorre ao artifício de mostrar sua mulher de calcinha. Fora a comunicação instantânea, e a informação hiperveloz, o Twitter funciona como uma rede para amplificar e canalizar iniciativas cidadãs; na Cidade do México, há um canal do Twitter dedicado a indicar aos automobilistas em quais esquinas operam os controles de alcoolemia; graças a esta rede de ares subversivos, o motorista pode ir evitando alegremente os controles.

As autoridades estudam como enfrentar esta iniciativa cidadã, uma iniciativa que pode ser condenável por vários pontos de vista mas, por outra parte, não é ruim que diante da ingerência, cada vez mais voraz, dos Estados na vida do cidadão, haja certa resistência, certa margem de livre arbítrio, uma pulsação que indique a quem está no poder que do outro lado há milhares de consciências críticas que são capazes de se organizar, rapidamente, e a olhos de qualquer um que se junte ao Twitter, em uma força cidadã.

A um mundo miniaturizado pela nanotecnologia, onde é possível colocar milhares de páginas, ou milhares de canções, em um dispositivo do tamanho de um isqueiro, cai bem a brevidade do Twitter. É de se agradecer, e de se celebrar, que as microrrevoluções que têm lugar neste meio de comunicação, desde a de Yoani Sánchez até a discutível batalha contra os controles de alcoolemia, sejam por escrito; depois de tanto rádio e tanta televisão, retornamos, para comunicar-nos, aos fundamentos, a escrever palavras. Mas o Twitter é apenas uma novidade, logo veremos para onde se dirige e que tanto influi no mundo do futuro; nesses 140 caracteres há uma força inquietante, aí palpita o germe de uma microrrevolução.


Do Instituto Humanista Unisinos

 

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